Advogada que atuava em Goiás é presa em resort de luxo na Bahia suspeita de desviar R$ 600 mil de clientes
Investigação aponta que profissional focava em clientes de baixa renda para firmar acordos imobiliários fictícios ou reter valores de alvarás judiciais. A advogada foi solta após habeas corpus.
Redação
Colunista PlenoTvNews • 24 de jul. de 2026

A advogada Rina Campbell Pena, que atuava em Goiânia, foi presa na última quarta-feira (22) em um resort de luxo na Bahia, acusada de aplicar golpes milionários em seus próprios clientes. Segundo a Polícia Civil de Goiás, estima-se que a profissional tenha desviado cerca de R$ 600 mil. Após a prisão, a defesa conseguiu um habeas corpus e ela já responde em liberdade.
De acordo com o delegado Douglas Pedrosa, responsável pelas investigações, a advogada fez pelo menos 17 vítimas. O esquema era focado em clientes de baixa renda que possuíam financiamentos imobiliários. Rina convencia essas pessoas a entrarem na Justiça para pedir a revisão de contratos ou a renegociação de dívidas, prometendo a redução dos juros.
Com as vítimas orientadas a parar de pagar as parcelas dos imóveis — o que fazia a dívida virar uma bola de neve —, a advogada assumia as negociações. O golpe se concretizava quando a Justiça liberava o pagamento de alvarás ou quando a imobiliária propunha um acordo financeiro: a advogada sacava ou transferia os valores para si, sem nunca repassá-los aos clientes.
Em um dos casos, uma vítima relatou que Rina a desaconselhou a aceitar uma proposta de acordo de R$ 54 mil. Tempos depois, a vítima descobriu que a advogada, por conta própria e sem autorização, havia aceitado o acordo com a imobiliária e embolsado o dinheiro.
Soltura e medidas cautelares
Apesar da prisão no resort baiano, Rina foi solta após a Justiça conceder um pedido de habeas corpus. No entanto, ela deverá cumprir três medidas cautelares: comparecer mensalmente à Justiça, não se ausentar de Goiânia por mais de 15 dias sem autorização, e ter seu direito de exercer a advocacia suspenso até que o mérito do caso seja julgado.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) acompanhou a “Operação Causa Própria” e informou que está apurando as infrações ético-disciplinares. Em nota, a defesa de Rina classificou a prisão inicial como “injusta e incompatível com os elementos constantes dos autos”, ressaltando que provará a inocência da advogada no momento oportuno.
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